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Canadá, Cotidiano, Ottawa-Gatineau, Viagens

A “moça” e a refeição matinal…

DSCN7930 Estava hoje, conversando com uma grande amiga minha Cristiana Cabreira, através do Skype, e ela me disse que escrevo bem e deveria pensar em seguir essa, digamos “veia” artistica. Pretensão talvez? Sei lá, mas acebei entendendo isso como um desafio e fui em busca de algo que pudesse ser interessante escrever. Se não fosse interessante, não perderia o meu tempo, correto? 😉

Pois bem. É sabido de todos que estou passando umas “férias” aqui no Canadá. “Férias” estas que estão se acabando, diga-se de passagem. Sol, sombra e água fresca, ou melhor de vez enquando sol, sobra em excesso e neve fresquinha todos os dias. Minha rotina aqui é essa. Parece tranquila né? mas as vezes é penoso ter que levantar pra ir estudar todos os dias de manhã. Frio de cortar osso. Aqui é uma terra que não precisa de mamãe pra lembrar a gente de levar casaco não. Ele já vem embutido no corpo. É a primeira coisa que queremos quando saímos de baixo do edredon.

Todos os dias a mesma rotina, saio da cama, boto a meia no pé, pego minha roupa, vou pro banheiro (…), saio do banheiro, pego minha mochila, passo sebo nas canelas e simbora pra aula. Todos os dias no mesmo horário. Chego na parada de ônibus e fico lá aguardando o dito cujo passar. Nesse meio tempo, as pessoas vão se aglomerando. Tem dias que não sei o que ocorre, mas todas elas resolvem sair no mesmo horário. Parece São Paulo. É sério, tem dias que em São Paulo os motoristas saem de casa com a idéia fixa de zoar o trânsito. Só assim pra justificar os dias que tudo flui fazendo a gente a acreditar que a CET acertou a mão e contratou REAIS Engenheiros de Tráfego.

Mas tudo bem. Melhor ter ônibus cheio do que ficar parado no trânsito. E por falar nisso, dia desses quase fui linchado virtualmente no Twitter porque reclamei que tinha chegado em casa 15 minutos além do meu horário normal. Pôxa, não tenho mais o direito de reclamar não? Tava boladaço mesmo. Onde já se viu? Saio da escola com a idéia fixa de chegar em casa num horário e chego 15 minutos atrasado. Inacreditável!!! (tô achando sinceramente que VOU ter problemas quando voltar pro Brasil)

Nessa rotina diária, presencio algumas coisas interessantes e alguns personagens únicos. Tem uma “moça” que aparenta ter uns 50 anos de idade que entra no ônibus e acha que lá dentro é a sucursal de sua casa. A primeira vez achei que fosse a correria do dia-a-dia, mas depois percebi que a dita cuja é folgada mesmo. Correria aqui? No Canadá? Fala sério né? (eu ainda estava com pensamento de São Paulo, Brasil) Perceberam a analogia né? Então…

Essa “moça”, todo santo dia entra no ônibus com umas “cartorze” bolsas, mochilas e sacolas. Nem sei como consegue, mas enfim, entra ela rindo pra tudo que é canto parecendo que lá dentro é tuuudo conhecido. Não sendo no chão, ela senta (em qualquer canto… MESMO). Não sei como, mas sempre acha um espaço vago. Tá apertado, mas ela vai lá, dá-se um jeito e senta. Tipo: “Tô pagando. Chega pra lá que um pedaço da janelinha também é meu.”

Já sentadinha, como se já não fosse transtorno suficiente, abre uma das sacolas(sabe aquelas lancheiras de escola primária? É bem parecido) e faz um tremendo banquete (DENTRO DO ÔNIBUS). Pô, café da manhã em casa ou numa lanchonete é mais prazeroso e não incomoda TANTO os outros. Mas com ela não. É lá dentro mesmo e daí? Só não tem o café, mas fruta, iogurte e cereal… (TEM). Imagine o que vira quando ela resolve abrir o saco de cereal? Pega aquilo com a mão e leva à boca? Nessa hora o ônibus dá aquela chacoalhada e aquilo avança o sinal em cima de quem estiver perto… Que beleza, chegar no destino já com a preocupação de não virar comida de pombo!!!

O pior de tudo, que em tempos de H1N1, a “moça” segura em tudo que é cano DO ÔNIBUS e depois faz sua refeição matinal (com a mesma mão). O mais engraçado é que um dia, estava eu sentado no banco de trás do dela e ao meu lado sentou-se uma senhora que tossiu. Ela, óbviamente tapou a boca para tossie, mas para a “moça” da frente, isso foi como se enfiasse uma agulha nela. Se virou e começou a falar alguma coisa que não entendi (tô aprendendo Inglês e não Francês, que fique claro isso), mas certamente algo do tipo: Tá tossindo perto de mim e vai me passar alguma doença. Fiquei pensando, segura em tudo que é cano do ônibus, pega na comida com a mesma mão, come e acha ruim que a outra tussa pertoi dela… Beleza de novo!!! Incoerência total, mas vou exigir coerência diante de tal folga? Em Francês? Tá pedindo demais não tá não bonecão?

Mas… Comigo na parada seeeeempre tem um mas. O pior é que sempre pro meu lado. Em uma bela manhã de sol(lembrei do Joseph Climber), estou eu sentado, quieto quando olho pra frente e vejo a “moça”, abaixei a cabeça pra voltar a cochilar mais um pouco quando olho ao meu lado e? ESTAAAAAaaaava vago… Era tarde… A moça não pensou duas vezes e sentou-se ao lado… Acho que ela estava esperando aquele momento, pois ao meu lado ela ainda não tinha sentado. Não digo o mesmo dos outros passageiros. Todos eles me olhavam como se quisessem dizer: “Vai mané, achou que ia se safar né? Hoje é sua vez… Aeeeeeee…” Que sacrilégio havia eu cometido, pensei. Olhava no relógio, faltavam ainda 15 minutos pra chegar no destino da “moça” e eu alí sem poder fazer absolutamente NADA. Só aguardar o banquete… (a qualquer momento)

Mas, acho que o sacrilégio não tinha sido tão grande assim. Naquele dia ela sentou, ficou rindo pra mim e para os outros passageiros, mas como não falo nada de Francês(graças ao meu BOM, FIEL e AMIGO DEUS), nenhum diálogo foi deferido. Mas confesso que foram os 15 minutos mais traumáticos da minha vida. Porque? E o medo dos cereais voadores? Vai que ela inventa de comer e desandar a falar? OLHANDO PRA MIM? Vai que ela inventa de abrir o pote de yogurte na hora em que o “autobus” fizer uma curva? (comigo do lado) Vai saber? Eu só sei que meu sono sumiu…Desapareceu… Tô até hoje procurando o dito cujo e nada de achar. Outros vieram, mas aquele, nunca mais ví… 😦

Depois dessa saga, desse trauma… minha estratégia é a seguinte, só sento em local de único assento ou que já tenha alguém sentado do lado. É aquilo, se não tenho como eliminar o risco, tenho como mitigá-lo. Nessas horas é que vejo o quanto valeu a pena estudar gerenciamento de projetos… 😀

Até a próxima!!!

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Sobre Edwagney Luz

Consultor em Tecnologia da Informação. Especialista em Qualidade e Teste de Software. Empreendedor, Pesquisador, Professor e Palestrante. Sócio na Qualyx Educação e Tecnologia. Head em Qualidade e Teste de Software no UBS Brasil. Graduado em Ciência da Computação pela PUC Goiás. Pós-graduado em Engenharia de Software pela Unicamp, Gerenciamento de Sistema de Informação pela PUC Campinas. MBA em Gestão da Tecnologia da Informação pela FIA-USP. Assuntos de interesse: Administração e Negócios, Empreendedorismo, Liderança e Gestão de Pessoas, Planejamento Estratégico, Governança de TI, Auto-Conhecimento, Coaching.

Discussão

4 comentários sobre “A “moça” e a refeição matinal…

  1. Só voce mesmo Ed, com medo da mulher piquenique :)~

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    Publicado por Boanerges | março 8, 2010, 08:15
  2. Muito, mais muito bom mesmo ! Adorei os Posts… que aventura, não?!
    hm, também te lincharia se visse seu post do ’15 minutos atrasado’ rs
    Acho que com esse incentivo, vou viajar pro Canadá rapidinho x)

    E ah, não deixe de postar sobre o ‘carinha do gorro azul’ rs! Espero…
    Parabéns ! *-*

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    Publicado por Gabriela | agosto 17, 2010, 10:30
    • Obrigado pelo comentário.
      Bem, vou achar um tempinho e escrever sobre o “carinha do gorro azul”.
      Essa foi hilária tb e me remeteu a algumas histórias que vivi em Vancouver. rs
      Canadá é bem legal, mas tem (com o perdão do português) uns malucos bem lesados. hehehe

      Ps: Não creio que me lincharia… hahahahaha

      Curtir

      Publicado por edwagney | agosto 17, 2010, 10:45

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Consultor em Tecnologia da Informação. Especialista em Qualidade e Teste de Software. Empreendedor, Pesquisador, Professor, Palestrante. Sócio na Qualyx Educação e Tecnologia. Head em Qualidade e Teste de Software no UBS Brasil. Graduado em Ciência da Computação pela PUC Goiás. Pós-graduado em Engenharia de Software pela Unicamp, Gerenciamento de Sistema de Informação pela PUC Campinas. MBA em Gestão da Tecnologia da Informação pela FIA-USP.

Assuntos de interesse: Administração e Negócios, Empreendedorismo, Liderança e Gestão de Pessoas, Planejamento Estratégico, Governança de TI, Auto-Conhecimento, Coaching.

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